Carta aberta aos trabalhadores

CARTA ABERTA AOS TRABALHADORES DAS INDÚSTRIAS GRÁFICAS, DA COMUNICAÇÃO GRÁFICA E DOS SERVIÇOS GRÁFICOS

É com um misto de esperança e, ao mesmo tempo, de um certo desapontamento que venho a vocês para atualizar sobre o andamento de nossas negociações coletivas. Sei que a expectativa por uma nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é grande, e é meu dever, como presidente do Sindicato, mantê-los informados e transparentes sobre cada passo que estamos dando.

As negociações, como muitos já sabem, infelizmente, estão emperradas. E essa situação nos levou a buscar a mediação do Ministério Público do Trabalho, um sinal claro de que estamos esgotando todas as vias para garantir que nossos direitos sejam respeitados e ampliados.

No início das negociações e após analisarem nossa Pauta de Reivindicações, o sindicato patronal nos apresentou uma proposta de reajuste salarial de R$ 125,00, com a condição de que nenhum salário seria reajustado com valores menores que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) 3,77% acumulado. A princípio, analisamos essa proposta e, de nossa parte, aceitamos essas condições salariais, entendendo que poderia ser um passo adiante, desde que as nossas demandas em relação ao vale-alimentação (ou cartão alimentação) fossem igualmente atendidas.

Ocorre que, o ponto crucial que tem impedido o fechamento da nossa CCT é justamente a questão que consideramos fundamental para o bem-estar de todos vocês, especialmente nos momentos de maior fragilidade: o Cartão Alimentação.

Nossa pauta é clara e justa: exigimos que o cartão alimentação seja estendido para as gestantes em auxílio-maternidade, para os pais em auxílio-paternidade, para os colegas que estão de férias, e também para aqueles que se encontram em auxílio-doença, seja por acidente de trabalho ou por outras enfermidades.

Quero enfatizar a questão do auxílio-maternidade. É inaceitável que, em um momento tão delicado e transformador na vida de uma mulher, que é o período da maternidade,    ela perca o benefício do cartão alimentação. Uma mãe, ao dar à luz e se dedicar integralmente ao seu bebê, precisa de todo o suporte possível. O auxílio-maternidade já representa um desafio financeiro para muitas famílias, e a interrupção do cartão alimentação agrava ainda mais essa situação, penalizando quem mais precisa de apoio e nutrição adequada para si e para o novo membro da família.  

O sindicato patronal, em suas propostas, tem se recusado veementemente a aceitar a extensão deste benefício para essas modalidades que mencionei. A alegação é que, a norma do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador não obriga, por não haver prestação de serviço ativa não haveria razão para o pagamento. No entanto, nós, do Sindicato obreiro, defendemos que é exatamente nesses momentos – nos auxílios e nas férias – que o trabalhador mais necessita desse suporte.

Sabemos das dificuldades e dos atrasos que muitos enfrentam para receber os pagamentos do INSS relativos a auxílios e licenças. É uma realidade cruel que o trabalhador, ao se afastar por doença, acidente ou para cuidar de um recém-nascido, já tenha que lidar com a burocracia e a demora do sistema, e ainda assim, ver seu cartão alimentação cortado pela empresa. Isso é um desrespeito à dignidade do trabalhador e uma demonstração de falta de sensibilidade.  

Não podemos e não vamos aceitar que o trabalhador seja duplamente penalizado. O cartão alimentação é um complemento essencial à renda familiar, e retirá-lo justamente quando o salário já está comprometido ou suspenso é um golpe duro.  

Podem ter certeza de que estamos firmes em nossa posição. Não fecharemos a CCT enquanto este ponto crucial, que visa proteger os trabalhadores nos momentos mais vulneráveis, não for contemplado de forma justa. Nossa luta é por um acordo que reflita o valor e o respeito que merecemos.  

Contamos com a unidade e o apoio de todos. A força do sindicato vem de cada um de vocês. Juntos, somos mais fortes e capazes de fazer valer nossos direitos.

 Continuarei mantendo-os informados sobre os próximos passos. Agradeço a compreensão e a confiança de todos.  

Um forte abraço,                                                                                                                    

Maringá, Julho de 2026

Cicero Carlos da Silva

Presidente do SITIGRAM 

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